Você percebeu que sua libido diminuiu, sente um cansaço constante, perdeu o interesse pelo sexo e, recentemente, recebeu o diagnóstico de Tireoidite de Hashimoto.

Então surge a dúvida:

Será que uma coisa tem relação com a outra?

A resposta é: pode ter, sim.

Embora muitas mulheres associem a falta de libido apenas ao relacionamento ou aos hormônios sexuais, a saúde da tireoide exerce um papel importante no funcionamento de todo o organismo, inclusive na sexualidade.


O que é a Tireoidite de Hashimoto?

A Tireoidite de Hashimoto é uma doença autoimune na qual o próprio sistema imunológico ataca a glândula tireoide.

Com o tempo, isso pode reduzir a produção dos hormônios tireoidianos, levando ao hipotireoidismo.

Como esses hormônios participam do funcionamento de praticamente todos os órgãos, seus efeitos vão muito além do metabolismo.

Eles também influenciam energia, humor, sono, concentração, disposição física e desejo sexual.

Como Hashimoto pode afetar a libido?

Nem toda mulher com Hashimoto apresentará alterações na vida sexual.

Mas quando a doença não está bem controlada, alguns sintomas podem impactar diretamente o desejo.

Entre eles estão:

  • fadiga constante;

  • sensação de cansaço mesmo após descansar;

  • diminuição da energia;

  • alterações de humor;

  • ansiedade ou sintomas depressivos;

  • dificuldade de concentração;

  • ganho de peso;

  • redução da autoestima.

Quando o corpo está exausto, é natural que o desejo sexual também seja afetado.

Afinal, o organismo tende a priorizar funções essenciais antes de direcionar energia para a sexualidade.

A libido não depende apenas dos hormônios sexuais

É comum imaginar que apenas estrogênio ou testosterona influenciam o desejo.

Mas a sexualidade feminina é resultado da interação entre diversos sistemas do organismo.

Uma alteração na função da tireoide pode desencadear uma série de mudanças físicas e emocionais que acabam repercutindo na vida íntima.

Por isso, tratar apenas a falta de libido sem investigar a saúde geral pode não resolver a questão.

E quando os exames estão normais?

Essa é uma situação bastante comum no consultório.

Algumas mulheres apresentam exames controlados, utilizam corretamente a medicação e, ainda assim, continuam sem desejo.

Nesses casos, é importante ampliar o olhar.

A libido também sofre influência de fatores como:

  • sobrecarga mental;

  • qualidade do relacionamento;

  • estresse crônico;

  • ansiedade;

  • autoestima;

  • experiências sexuais anteriores;

  • crenças sobre sexualidade.

Ou seja, controlar a doença é fundamental, mas nem sempre é suficiente para restaurar o desejo.

O tratamento precisa olhar para a mulher como um todo

A sexualidade não pode ser separada da saúde física e emocional.

Quando existe uma doença crônica, é natural que ela influencie diferentes áreas da vida.

Mas isso não significa que você precise aceitar a perda da libido como algo definitivo.

Com acompanhamento adequado, é possível compreender quais fatores estão envolvidos e construir estratégias para recuperar sua qualidade de vida e sua conexão com o prazer.

Sua libido merece ser investigada, não ignorada

Muitas mulheres convivem durante anos com a falta de desejo acreditando que "é por causa da tireoide" e que não existe nada a fazer.

Embora a Tireoidite de Hashimoto possa, sim, influenciar a sexualidade, ela raramente explica tudo sozinha.

Olhar para a mulher de forma integral é o caminho mais seguro para compreender o que realmente está acontecendo.

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